11 de Maio de 2012

Os Saramagos da minha vida

Uma das coisas que compreendi há muito tempo é que não somos do tempo de fazermos sacrifícios que não tenham um fundamento de existir. Para mim, ler é um prazer, mas quando o livro que estou a ler se torna um sacrifício, rapidamente descubro que não o posso continuar... por isso, e pela terceira vez na vida, vou deixar mais um Saramago na prateleira porque, muito sinceramente, a Jangada de Pedra se tornou secanteeeee.... acho que nem sequer é este o termo para tão grande deceção!

Primeiro foi o Memorial do Convento que morou na minha mesa de cabeceira durante meses e deixei-o a meio, o ano da morte de Ricardo Reis também ficou a um terço e agora a Jangada ficou a dois terços, mas não me sinto com vontade... está a tornar-se numa enorme pastilha e portanto vai voltar para a prateleira... talvez um dia lhe pegue de novo, ou talvez não! Não gosto de fazer fretes... e só os faço quando têm mesmo de ser... porque o que eu gosto mesmo, mesmo, são livros page turner (tradução em algo como: ler de um só fôlego), mas sei que nem todos os bons livros são assim!

Já não digo não à partida, já experimento, e às vezes até gosto, mas quando se torna excessivamente violento para a alma, paro e se for caso disso, deixo de lado! A vida é valiosa demais para viver com sacrifícios parvos!

12 de Abril de 2012

Acabei isto a semana passada! Foi o livro mais difícil até hoje - um mês e meio de leitura, mas tinha mesmo de o ler, tinha mesmo de o acabar!
Vale a pena lê-lo, se estivermos com a disposição para isso, mas é realmente uma leitura que nos deixa, muitas vezes, a boca seca! Se puderem lê-lo depois d'O sonho do Celta do Vargas Llosa, façam-no, senti-me um bocadinho ultrajada e dececionada com um Vargas Llosa que se tomou parte de partes deste livro que chocam... e o que choca, vende!

Apesar de tudo, As Benevolentes recorre a um subtema bastante batido em literatura, um incesto, e isso pode deixar-nos um efeito "Ora, bolas!"... o que se pretende em ler livros bons é algo novo e não fórmulas para livros que vendem!

Mas adiante... Comecei isto ontem, e é de devorar... como todos os que já li do Follett, é deslumbrante, muitas vezes genial, (mas) segue a linha dele - uma complexidade que nos tinha já mostrado nos anteriores Pilares da Terra e Mundo sem fim! Fico contente por este ter sido ainda mais arrojado, com personagens reais que conversam com personagens do imaginário!
Este ano ainda quero ler mais um Saramago e voltar ao grande Eça - que já li pouco mas gostei muito e agora foi recomendado!

27 de Fevereiro de 2012

It's a kind of magic!

A primeira orquídea que encontrei na natureza!!! Uma linda Barlia robertiana encontrada nos Cucos, assim, em andamento, ainda nem tinha saído do carro!!!

O pormenor da folhas!


Bem, e este é um repetente, mas não deixa de ser um dos meus preferidos... um fantástico Narcissus bulbocodium a crescer no patamar acima da Barlia!

24 de Fevereiro de 2012

Sobre o acordo ortográfico

Se há coisa que me intriga e põe nervosa, é esta história de contestar e desacordar com o Novo Acordo Ortográfico! É certo que o ser humano é contra a mudança e que a princípio a coisa até se compreende, escrever coisas de modo diferente pode fazer alguma confusão, mas é como tudo, primeiro estranha-se e depois entranha-se... é uma coisa fácil, porquê complicar?
Põe-me nervosa as pessoas dedicarem o seu tempo a este tipo de pensamento mesquinho, "Ah, porque eu não vou «ADOPTAR» porque isto é tudo para servir interesses políticos!"... sim, e depois!? Mais vale servir interesses políticos do que morrer enquanto povo porque não nos queremos modernizar, porque queremos defender uma língua que não pode mudar! Uma língua que não mude é uma língua morta, e sendo uma língua morta, não me servirá para me exprimir no futuro, e eu quero poder utilizar o português no futuro, e do futuro! Não sejamos ignorantes por uma vez na vida, se querem usar uma língua morta, vão aprender Latim, pelo menos assim ficarão com a certeza de que nada mudará... O acordo já foi assinado há mais de 20 anos, e agora é que se lembraram?! Sinceramente, às vezes não se compreende... será que não têm mais nada com que se preocupar? Que não têm mais nada mais nobre para defender? Quando se fala de escrever em português correto, e sem erros, usando com exigência a língua de Camões, aí já fico para aqui a falar sozinha (ou quase) porque já não há ninguém que defenda quem escreva ou fale corretamente, porque aí, já temos de ter todos muita paciência, porque errar é humano!

Como dizia uma professora venezuelana, "Não conheço nenhum povo que maltrate mais a sua língua, como os portugueses!"... e no fim continuam todas às turras porque "não queremos ser brasileiros!". Caso não tenham reparado, não somos, ou a esta hora estaríamos a gritar de euforia com taxas de crescimento económicos muito acima do que precisamos! Mas é a vida, quem faz parte duma nação com 900 anos de história e independência, terá sempre tendência a ser Velho do Restelo, é preciso é contornar isso!